terça-feira, 28 de maio de 2013

Anos 50 - Parte 4: Jovens e Rebeldes (Teddy Boys, Rockers e Beatniks)

Na década de 50, uma categoria social que até aquele momento o comércio não levara em conta passa a fazer toda a diferença: a adolescência. Passa a existir um mercado de moda específico para os jovens da geração baby-boom. Estes jovens tinham suas próprias músicas, suas próprias maneiras e aparências. Solteiros, com dinheiro do trabalho remunerado, tinham mais liberdade de consumo do que os seus pais.
As subculturas como conhecemos hoje, começaram a surgir na década de 1950. Filmes como “Rebelde sem Causa” influenciaram a forma como os adolescentes se vestiam. Jack Kerouac e seu livro “On the Road” trouxe a cultura Beatnik. Couro, calças Levi´s, tênis Converse e o cenário do Rock n Roll ajudaram a criar o look rebelde da década.

Houve uma quebra da relação entre pais e filhos; os jovens começam a se afastar da rígidez da década de 1940 para dar início aos movimentos de juventude da década de 60. Os adolescentes eram considerados agressivos, usavam de elementos sexuais, atitudes provocativas e fazem surgir conflitos nos pais, afinal, esses jovens tinham uma liberdade que seus pais jamais tiveram, o medo de envelhecer e o culto à juventude começam então a surgir no mundo adulto.
Estas subculturas dos anos 50 não tinham uma ideologia, eram "rebeldes sem causa", apenas pelo prazer de serem diferentes de seus pais; foi somente com as subculturas punk e hippie, jovens interessados em direitos civis e política, que ideologia e subculturas começaram a andar juntas.


Teddy Boys 
Este estilo, usado por jovens ingleses desde o final dos anos 1940, não era uma releitura da Era Eduardiana, era literalmente uma cópia das peças da época. “Teddy” é apelido do nome “Edward”, e esses neo-eduardianos rejeitavam a norma tradicional de vestimenta; rebeldes, bad boys e elegantes, eles se reuniam em cafés e nas esquinas.

Casacos longos até os joelhos com gola e punhos enfeitados com veludo ou cetim e abotoamento simples, coletes de brocado, ombros naturais, corte ajustado, drape jacket, casacos de lã com vários bolsos, camisas brancas com gola alta; calças de cintura alta e estreitas;  lenços e chapéu coco eram o que vestiam. O acréscimo ficou com meias brilhantes e gravatas finas aos estilo cadarço (bootlace ou shoestring); sapatos de camurça ou creepers.
Cabelo penteados com brilhantina em estilo quiff, costeletas longas e “rabo de pato” (ducktail) onde o cabelo era penteado pra trás e no topo da cabeça era feito um rolo que formava um grande topete.
Porém, essa imagem de bad boy elegante era cara, as roupas deveriam ser feitas sob medida pelos alfaiates de Savile Row, que dominam a alfaiataria masculina britânica desde 1806.

As Teddy Girls, usavam cabelos curtos, maquiagem, blusas pretas, camisas brancas, saias na panturrilha, calças justas com corte baixo. Estas moças poderiam usar um look mais andrógino ou masculino, mas isto era raro e arriscado, um penteado masculino em uma mulher poderia levá-la presa ou agredida por suposta homossexualidade, que era encarado como uma perversão.


O estilo se enfaqueceu em 1956 e praticamente desapareceu em 1958. Ressurgiu na década de 1970 com  o glam rock e depois na década de 1990.


Rockers
O Rock n´ Roll, que começou a dar seus primeiros acordes em 1951, era o estilo musical dos adolescentes da década de 50. Em 1954, o rockabilly de Elvis Presley domina as rádios junto com Bill Hayley, Jerry Lee Lewis, Little Richard, Chuck Berry e Buddy Holly. Estrelas de cinema como James Dean e Marlon Brando - que interpretou um motoqueiro vestido em couro no filme "O Selvagem da Motocicleta" (1953), são considerados ícones culturais da juventude rocker. O rock and roll era visto como perigoso, subversivo e até mesmo obsceno já que rebelião e agressividade caracterizavam essa subcultura. Os rockers surgiram na Inglaterra, eram avessos ao uso de drogas, se reuniam em cafés ou na Chelsea Bridge Tea Stall em Londres e depois partiam para correr com suas motos. Essas reuniões em cafés deram origem à um tipo de motocicleta chamada de café racer (caff racer). Os rockers posteriormente influenciaram o movimento punk nos anos 70.

Rockers usavam camistas brancas, jaquetas curtas de couro (jaqueta perfecto), jeans Levi´s, calças de couro e botas, como acessório: uma echarpe amarrada sobre a boca e pescoço (inspirados nos aviadores da 1º Guerra Mundial) e uma bela moto. O cabelo dos rockers era o mesmo dos Teddy Boys, pois os Teddies são considerados os antecessores dos rockers: cabelo com brilhantina ao estilo quiff, rabo de pato ou simplesmente bagunçados.

As meninas usavam camiseta e jeans com tênis ou bota ou uma versão mais jovial do new look: saia godê completa ou saias franzidas, apoiadas em anáguas; saias plissadas ou pregueadas também eram populares. Blusas gola colher,  cardigans, lenços amarrados no pescoço, luvas brancas ¾ e sapatilhas ou tênis baixo.  Mas para os passeios de moto, usavam uma versão das roupas masculinas: jaqueta, calças de couro justas e botas.

 
  


Beatniks
O movimento beatnik começou nos EUA entre os estudantes e foi a primeira subcultura a usar roupa preta como símbolo do luto pela sociedade e pelas guerras.
A palavra “beat” significa “beato” mas foi usada como sinônimo de "derrotados", "oprimidos". Românticos, existencialistas, subversivos, protestavam contra a opulência do pós guerra, o consumo, o progresso, bombas atômicas e contra o estilo de vida americano. Na Inglaterra os jovens de classe trabalhadora eram adeptos e em Paris eram cantores, artistas plásticos, intelectuais, filósofos, poetas, romancistas que freqüentavam cafés e casas de Jazz. Jean Cocteau, Jean Paul Sartre e Juliette Gréco estavam entre eles. Os beaniks eram pacifistas ideológicos, contra o controle governamental ao ser humano, às fronteiras geográficas e graças à eles, lutas contra o racismo, o imperialismo e contra a desigualdade, foram colocadas em prática. Foram personagens do livro “On the Road” de Jack Kerouac que foi transformado no filme “Sem Destino”. O estilo beatnik é atualmente vendido para a grande massa sob a estética de boemia intelecual.

O vestuário masculino, peças pretas, calças Levis 501, camisetas, blusas de gola rolê, camisas pra fora das calças. Cabelos bagunçados, barba e bigode, sandálias e uma bolsa para carregar os livros.

Na moda feminina, a silhueta era estreita, Audrey Hepburn era referência, roupas negras, calças justas e curtas, twin sets, blusas largas e longas usadas sobre saia lápis, sapatilhas de balé simbolizando a aversão ao salto alto e fino das buguesas adeptas do New Look e boinas. Pregavam a simplicidade nas vestimentas, numa era em que o desperdício de tecido na moda feminina imperava com o estilo New Look. O cabelo ou era ao estilo Hepburn, à lá Juliette Gréco ou mesmo um beehive.


O texto foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em livros de Moda lançados no Brasil e no exterior. Se forem usar para trabalhos ou sites, citem o blog como fonte. Leiam livros de Moda para mais informações e detalhes.
*Originalmente postado em meu outro blog, o Moda de Subculturas.

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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥