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domingo, 16 de julho de 2017

Breve história do penteado Colmeia ou Bolo de Noiva (beehive hairstyle)

Margaret Vinci Heldt ficou conhecida mundialmente por ser a "criadora" do cabelo beehive, ou penteado bolo de noiva na nossa tradução. A americana que tinha origem italiana desde cedo mostrou habilidade com os fios. Em 1954, venceria o concurso National Coiffure Championship em Michigan. O prêmio traria renome ao trabalho da cabeleireira e de seu salão, o Margaret Vinci Coiffures, localizado em Chicago.
 Artigo escrito por Lauren Scheffel
Edição Sana Skull

Com evidência no mercado de beleza, anos depois, surgiria o convite da revista Modern Beauty Shop - hoje, Modern Saloon - pedindo que a hair designer criasse o novo look da década. "Nada aconteceu desde o twist francês, o pageboy e o flip. Eles me disseram: "você precisa vir com algo diferente", revelou ao jornal Chicago Tribune. E assim, em Fevereiro de 1960, estreava na publicação o cabelo beehive.

Ícone contemporâneo, Amy Winehouse ostenta seu famoso beehive. 


A inspiração do penteado veio de um pequeno chapéu preto de veludo, um modelo fez, que tinha uma fita vermelha e duas decorações nas bordas que pareciam abelhas. O cabelo seria criado numa noite enquanto a família dormia. Margaret desceu as escadas de sua casa, colocou uma música e começou a trabalhar no manequim. No dia que apresentou oficialmente para revista, a cabeleireira deu um toque final colocando um broche no cabelo da modelo. Quando um dos repórteres viu o resultado, falou: "Isso simplesmente se parece com uma colmeia (beehive). Você se importa se nós o chamarmos de colmeia?". Pronto, estava batizado o penteado!

Margaret Vinci Heldt segura a foto de sua criação.

O beehive consiste em envolver a cabeça em torno do movimento da coroa, rolando suavemente a "franja" na direção das orelhas. Seu formato é cônico e com uma leve ponta, literalmente uma colmeia, por isso a associação. É necessário muito laquê para segurá-lo firme. Margaret brincava dizendo que avisava as suas clientes que não se importava o que o marido fizesse do pescoço para baixo, contando que não as tocassem do pescoço para cima. O penteado era feito para durar uma semana, um lenço era enrolado em torno ao dormir para não bagunçar os fios.



A modelo Bonnie Strange, fotografada por Johannes Graf na 74 Magazine de 2012:
variação moderna do beehive.


No Brasil, o modelo ficou conhecido como bolo de noiva. Mesmo com o costume de se ver o penteado em festas, na época era usado no dia a dia também. Dizem que quando as mulheres iam ao cinema, sofriam retaliações de espectadores pois o penteado atrapalhava a visão de quem sentava atrás, com pedidos mal educados de que se retirassem do local.


Apesar de Margaret ser conhecida como a inventora, a verdade é que o estilo já era visto no final dos anos 1950. Com a cabeleireira ele teria ganhado o tamanho e a forma como conhecemos. O status chique foi coroado quando Audrey Hepburn aparece no filme "Breakfast at Tiffany", ou "Bonequinha de Luxo" (1961).



Estas versões bufantes do cabelo, acabaram se tornando uma versão mais simples e rápida do penteado.


Brigitte Bardot


Barbra Streisand, Mari Wilson.


Garotas na rua,  foto de Ed van der Elsken.



Priscilla Presley também é muito lembrada por seus cabelos naquela década.


Na própria década o cabelo já seria incorporado pelas jovens, provavelmente influenciado pelas bandas de garotas sessentistas:

The Velvelettes
60s-girl-band


Mary Weiss da The Shangri-Las
60s-girl-band


 The Marvelettes e Connie Francis
60s-girl-band-singer

Diana Ross (The Supremes) e  Aretha Franklin  60s-girl-band


e as cantoras Mary Wells,
60s-singer


Dusty Springfield, Dolly Parton e Mari Wilson.
60s-singers

Conhecido pela maioria com o nome de beehive, alguns também o denominam de B-52, pois o penteado lembra o nariz do jato. Nos anos 1980, seria visto em diversas cores pela cantora Cindy Wilson do grupo homônimo. Na mesma fase, a personagem Elvira mostrava a cara dark do aplique, que tinha como referência as The Ronettes.
Do formato cônico em colmeia, o penteado sofre várias modificações, a mais comum delas é ter o cabelo penteado erguido para cima e para trás, versão simplificada do modelo original.


Quem não lembra dos penteados de Kate Pierson e Cindy Wilson do grupo B52´s?
singers
hairstyle


O beehive dark de Elvira e...
mistress-of-the-dark


... as musas inspiradoras The Ronettes  
1960s-girl-bands

Antes de ser pioneira da cena punk, Debbie Harry usou beehive ainda adolescente e posteriormente como atriz, no filme Hairspray (1988, John Waters). 


O cabelo de Kelly Osbourne se aproxima do colmeia original e
Katy Perry usa uma versão mais quadrada.

A punk Jordan em 1976 e Emily McGregor são exemplos do penteado sendo usado nas subculturas.
jordan-emily-mcgregor

Desde a sua existência, o sucesso do penteado permanece ora no alternativo, ora no mainstream. Nos últimos anos, adquiriu status cult devido à Amy Winehouse. Naquele período o beehive aparecia muito no estilo clássico, à la Audrey Hepburn. Quando Amy surge com o visual, a cantora se encontrava numa fase super influenciada pelas girls bands dos anos 1960, citando constantemente as garotas The Shangri-Las, apesar do estilo que usava remeter mais às The Ronettes. Além do cabelo, o olho delineado de gatinho e batom vermelho já vinha de tal década.



O look virou marca registrada e como aquele estilo não era visto há muito tempo pela mídia, ficou no imaginário que o visual dela era único, mas na cena alternativa de Londres o cabelo sempre existiu para as que se identificavam com a moda retrô, a diferença é que não ficaram famosas como a cantora.
Amy revelaria: "Eu sou uma pessoa muito insegura. Sou muito insegura em como pareço. Sabe, eu sou música, não modelo. Quanto mais insegura me sinto, mais bebo. (...) E ao Tracy Trash, que faz meu cabelo, digo: 'Maior, maior!' - quanto mais insegura fico, maior tem que ser meu cabelo".

Quanto mais insegura, maior o beehive.

Em entrevista para extinta Fashion TV, a blogueira Tavi Gevinson, ainda adolescente​, descobre que Margaret não gostava nada da versão exagerada que Amy adotou do cabelo. A cabeleireira viveria até os 98 anos num asilo em Chicago, falecendo no dia 10 de Junho de 2016. Quantas estórias um penteado pode contar, não?

 

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2 comentários:

  1. É verdade! Nós mulheres e nossos belos (ou não?) penteados já rendemos muitas histórias fascinantes.Belo post. Parabéns!

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  2. um amor pela história da moda, ver como tudo se caminhou até os dias de hoje <3

    blog
    http://amandakellyblog.blogspot.com.br/

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Nota aos Leitores

Olá, tudo bem? Fico feliz que tenha chegado até aqui! :) Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam com muita frequência quais as fontes dos meus textos e algumas pessoas são bem agressivas nesta abordagem. É necessário informar que alguns textos aqui presentes foram escritos entre 2009 e 2013, período que eu não tinha preocupação de anotar as fontes. Não posso hoje colocar uma fonte que não lembro se está correta, indicando algo errado ao leitores. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e lhes garanto que há material disponível em publicações em português apropriadas para um trabalho de pesquisa. Nos textos pós 2014, eu indico a fonte consultada. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria referência. Além disso, isso é apenas um blog que visa o entretenimento e não é minha obrigação fornecer uma pesquisa pronta a outra pessoa. Alguns livros que uso estão listados neste link (que está desatualizado): https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html, outros estão resenhados aqui no blog, procure a tag "livros". A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores, por isso essa nota se fez necessária. Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog). Atenciosamente, Sana M.

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