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sábado,
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sábado, 15 de fevereiro de 2025

Livros de Moda: referências para pesquisa


A História na Moda, a Moda na História


A história na moda, a moda na história é uma coletânea que reúne um conjunto de pesquisadores preocupados com alguns setores ainda “adormecidos” na historiografia, estabelecendo uma íntima correlação entre História e Moda.
De simples termo, significando o uso corrente e adotado de vestir, em certas maneiras, gestos, estudos e exercícios, moda transformou-se em um conceito, à medida que constituía, por meio de uma nova experiência histórica, algumas de suas características que se faziam presentes desde muito tempo.
De modo definitivo, um novo olhar sobre a moda foi sendo construído, como uma extraordinária revisão em sua interpretação, enquanto um elemento ligado ao poder, à cultura, à sociedade e à economia. E, foi, nessa abordagem que a historiografia começou aqui e ali a apresentar alguns trabalhos, que embora ainda escassos, traduzem a riqueza de um instigante objeto de pesquisa.
Esse livro, portanto, foi concebido a partir dessa nova perspectiva. Não se trata apenas de analisar a moda como o vestir e o trajar de uma dada sociedade ou descrever uma sucessão de estilos de época, mas transmitir ao público especializado ou não, um novo tema de análise capaz de transmitir um discurso político, econômico, social e cultural de várias sociedades em diversas conjunturas. Destaca-se, assim, a originalidade desse trabalho que traz ao leitor, por meio de três grandes eixos – a moda no oitocentos, a moda nos tempos contemporâneos e uma análise mais teórica sobre o próprio conceito de moda – uma reflexão profunda e madura de um novo objeto acerca do estudo do cotidiano.
Desse modo, apesar de abordagens e temporalidades múltiplas, essa coletânea apresenta um passeio pelos meandros da moda, dialogando com distintos conceitos como poder, civilização, imprensa, política, cultura das aparências, imagens, simbologia, memória e patrimônio, entre outros.
Como deve ser um trabalho de pesquisa, não esgota todas as possibilidades de formulação sobre o conceito de moda, mas levanta inúmeras indagações que procuram aproximar as teias de relações entre a História e a moda, como um elemento intrínseco e fundamental para se compreender a própria arte de viver.


Nos bastidores da Vogue: A história da revista que transformou o mundo da moda


Nesta obra instigante, Nina-Shophia Miralles desvenda os bastidores editoriais de mais de um século de existência da maior revista de moda do mundo.
Como tantos outros fenômenos culturais, a revista Vogue começou de forma singela, num quarto vago de uma casa. Contudo, diferentemente de outros projetos improvisados, cujas brasas logo se apagam, a trajetória incandescente da Vogue marcou a ferro nosso comportamento e nossos padrões de beleza.
Em 2022, ano em que completa 130 anos, a Vogue não é apenas uma revista de moda, é o establishment. Líder inconteste do mercado há um século, é uma das marcas mais conhecidas do mundo e uma máquina multimilionária de fazer dinheiro. Mas o que (e, o mais importante, quem) fez dela um sucesso tão duradouro?
Centrado nas três edições mais influentes ― a Vogue americana, a britânica e a Vogue Paris ―, Nos bastidores da Vogue acompanha a icônica revista desde o seu nascimento em Nova York, como um folhetim de fofocas, até se tornar o gigante corporativo que conhecemos hoje. Este é o primeiro retrato de corpo inteiro da bíblia da moda, que detalha o início da Vogue em Londres, cujos primeiros editores eram tremendamente rebeldes e muitas vezes insubordinados; as reviravoltas em Paris, como quando o editor francês barganhou com os nazistas para manter a revista de pé; até chegar ao presente, explorando a lenda imponente de Anna Wintour e a revolução na edição britânica sob o comando de Edward Enninful.
Nos bastidores da Vogue conduz o leitor por três séculos, duas guerras mundiais, fracassos retumbantes e êxitos incríveis, ao mesmo tempo que recupera a incrível história da Vogue e daqueles que a editaram. Mais do que a trajetória de uma revista, este livro é sobre paixão, poder, fortunas vertiginosas, moda, inventividade, oportunismo, frivolidade e malícia. É a história definitiva da Vogue .



Pílulas de História da Moda


Desde a década de 2000 houve um aumento do interesse pelo campo da moda, fazendo com que as publicações sobre o tema aumentassem significativamente no Brasil. Já no campo acadêmico, as pesquisas também se ampliaram, mas permanecia uma distância entre o que se dirigia ao público leigo e a acadêmicos: de um lado havia linguagem acessível, mas faltava profundidade e de outro, informações de grande valor inacessíveis aos leitores leigos.
Visando preencher essa lacuna, Pílulas da moda reúne textos resultantes de pesquisas científicas com a preocupação de uma comunicação acessível. Trata- -se de um projeto de Maria Claudia Bonadio elaborado em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Na ocasião, Maria Claudia elaborou o perfil @historiadamoda.ufjf no Instagram, reunindo imagens e textos dos trabalhos dos pesquisadores do grupo de pesquisas História e Cultura de Moda.
A repercussão foi tão grande que pesquisadores de outras regiões do Brasil e do exterior passaram a divulgar seus trabalhos no perfil. O conhecimento gerado não poderia se perder na efemeridade do mundo virtual e é essa a razão da reunião de textos nesse livro.
A coletânea pretende satisfazer pequenas ou grandes curiosidades de forma aprofundada, convidando a saber mais através de outras indicações de leituras para aqueles cujo interesse foi despertado através dessa obra. A oferta de temas é ampla e certamente agradará a um público variado.


História e Historiografia da Moda: Novas Abordagens


Desde o final do século XX os estudos em moda vêm se consolidando no Brasil, sendo por natureza interdisciplinar, mesmo quando analisada a partir de um campo do saber específico, como a história, se constitui majoritariamente em fronteira com outras ciências.
Os textos reunidos nessa obra abordam novas temáticas e conceitos da história e historiografia de moda a partir de interconexões entre a própria área, as ciências sociais e a comunicação. A coletânea intenciona apresentar esses novos conceitos e revisitar outros a partir de novos olhares e fontes. Entendemos a moda como um conceito expandido, definido como o corpo vestido, que se estende a tudo o que compõe a aparência e cobertura corporal, em constante relação com a cultura, a sociedade e o tempo. Isso permite pensar como os diferentes vestires podem subverter, influenciar ou transformar a moda. Desta forma busca-se colaborar para a ampliação dos estudos em moda entre os pesquisadores brasileiros.



Questão de estilo: 20 itens icônicos que mudaram a história da moda



Este livro traz vinte ícones criados por artistas excepcionais e que resumem, em linhas sucintas e refinadas, as características de um ?clássico de grife?. São vinte referências de moda e estilo, expressas em várias formas e cores. Alguns artigos são exclusivos, outros fazem parte do nosso cotidiano; todos, entretanto, são marcados por histórias de coragem e empreendedorismo. Questão de estilo tem como objetivo, assim, definir o que é essencial na moda.









História da Moda no Brasil

A autora nos apresenta mais de cinco séculos de história conseguindo prender o interesse e a atenção dos leitores com sua escrita leve e bem articulada. Com uma extensa rede de referências História da Moda no Brasil é um guia completo.



História da Moda no Brasil. Das Influências às Autorreferências



Resultado de uma pesquisa vasta e inédita em sua abrangência, o livro "História da Moda no Brasil: das influências às autorreferências", que sai agora com o selo da Disal Editora, é o mais importante trabalho sobre moda já produzido no Brasil - realizado pela Pyxis Editorial sob a coordenação do jornalista e escritor Luís André do Prado e do professor de moda e escritor João Braga. Com apresentação gráfica primorosa, ilustrado com mais de 400 imagens, o volume permite ao leitor percorrer a história de nosso país por meio das roupas, compondo um painel visual evolutivo dos movimentos estéticos, comportamentais e da criação de moda vivenciados no Brasil. Em 640 páginas, o leitor encontrará todos os movimentos da moda ocorridos ao longo de mais de um século, dos tempos em que apenas reproduzíamos ou adaptavamos lançamentos de Paris, ao período de criação da alta moda local (com os costureiros da década de 1960, como Dener Pamplona e Clodovil Hernandes), passando pelo surgimento do prêt-à-porter nacional, pelos grupos de moda da década de 1980 até a consolidação das Semanas de Moda - como a São Paulo Fashion Rio (SPFW) e Rio Fashion, na primeira década do século XXI. Para compor esse painel, foram feitas pesquisas em diversos acervos e coletados 127 depoimentos, relatos de pessoas que vivenciaram essas diversas fases evolutivas e que permitem ao leitor ter um relato histórico vivo.


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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Indumentária do Oriente

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quarta-feira,
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

A Moda Mortal do Século XIX: Roupas com arsênico, chapéus com mercúrio e materiais altamente inflamáveis ​​na era vitoriana.

Uma ilustração chamada “A Valsa do Arsênico” faz alusão ao uso de arsênico na fabricação de roupas e flores artificiais. A ilustração apareceu na “Punch”, uma revista satírica britânica. Poucos meses antes do lançamento, um trabalhador da indústria da moda morreu de envenenamento por arsênico.


Cortesia da Bloomsbury and Wellcome Library , Londres.

Enquanto estava sentada em casa numa tarde de 1861, Fanny Longfellow, esposa do poeta Henry Wadsworth Longfellow, pegou fogo. Suas queimaduras foram tão graves que ela morreu no dia seguinte.  De acordo com seu obituário, o incêndio foi iniciado por “um fósforo ou pedaço de graveto” que caiu em seu vestido.

Naquela época, não era uma maneira particularmente incomum de morrer. Nos tempos de velas, lamparinas a óleo e lareiras, as saias rodadas e os vestidos esvoaçantes de algodão e tule usados ​​pelas mulheres em lares americanos e europeus representavam um verdadeiro risco de incêndio. As roupas de lã mais justas usadas pelos homens eram muito menos perigosas.

Mas o problema não era só a roupa: a moda daquela época era cheia de armadilhas perigosas. Meias tingidas com anilina causavam inflamação nos pés dos homens que as usavam, enquanto operários de fábrica desenvolviam úlceras e até câncer de bexiga devido à produção das meias. A maquiagem contendo chumbo danificava os nervos dos pulsos das mulheres, tornando-as incapazes de levantar as mãos. Pentes decorativos de celuloide usados ​​por mulheres como enfeites de cabelo explodiam quando ficavam muito quentes. Em Pittsburgh, um jornal noticiou que um homem com um pente de celulóide perdeu a vida enquanto “aparava sua longa barba grisalha”.  No Brooklyn, uma fábrica inteira de pentes explodiu .

Muitas roupas e acessórios da moda daquela época eram feitos com produtos químicos cujo uso hoje é proibido devido à sua toxicidade. Na verdade, foram os fabricantes, e não os usuários das roupas, que mais sofreram.

 
Chapeleiros Malucos

A expressão inglesa “mad as a hatter” (chapeleiro maluco) pode ter origem nos efeitos colaterais desta profissão, uma vez que os chapeleiros trabalhavam com mercúrio. Alguns estudiosos duvidam dessa explicação, mas mesmo assim muitos chapeleiros sofreram de envenenamento por mercúrio. Embora o ditado seja usado com certa leveza e o Chapeleiro Maluco de “Alice no País das Maravilhas” pareça bobo e engraçado, a doença dos Chapeleiros Malucos não era nada engraçada: o envenenamento por mercúrio é um caso debilitante e mortal.

Os fabricantes de chapéus começaram a tratar peles de lebre e coelho com mercúrio na década de 1730. Este chapéu foi feito no século XIX. Testes confirmaram que ele ainda contém mercúrio.

Foto de Ron Wood, Bata Shoe Museum.


Nos séculos XVIII e XIX, muitos chapéus de feltro para homens eram feitos de pele de lebre e coelho. Para colar essa pele e fazer feltro, os chapeleiros a pincelavam com mercúrio. “Era extremamente tóxico”, diz Alison Matthews David, autora de Fashion Victims: The Dangers of Dress Past and Present. “Especialmente quando você inala. Vai direto para o cérebro.”

Um dos primeiros sintomas foram problemas neuromotores, como tremores. Na cidade de Danbury, Connecticut, onde se fabricam chapéus, o produto era tão popular que ficou conhecido regionalmente como “ Danbury Shakes ”. Além disso, ocorreram problemas psicológicos. “Você fica muito tímido e muito paranoico”, diz Matthews a David. Quando os médicos visitaram os chapeleiros para registrar seus sintomas, “os chapeleiros pensaram que estavam sendo observados. Eles largaram suas ferramentas, ficaram com raiva e tiveram explosões.”

Muitos chapeleiros também desenvolveram problemas cardiorrespiratórios, perderam os dentes e morreram jovens. Embora esses efeitos tenham sido documentados, muitos os viam simplesmente como um risco ocupacional. Além disso, o mercúrio só causou problemas para os chapeleiros. Os homens que usavam os chapéus eram protegidos pelo forro dos chapéus.

“Sempre houve resistência das fileiras dos chapeleiros”, diz Matthews David sobre essas perigosas condições de trabalho. "Mas, honestamente, a única coisa que fez [a chapelaria de mercúrio] desaparecer foi o fato de os chapéus masculinos terem saído de moda na década de 1960. Esse foi realmente o momento em que a profissão morreu. Mas nunca foi proibido na Grã-Bretanha.”


Arsênico e renda

O arsênico era onipresente na Inglaterra vitoriana. Embora fosse conhecido como uma arma de assassinato, o elemento barato e natural era usado em velas, cortinas e papel de parede, escreve James C. Whorton em “ The Arsenic Century ”.

Como tingia o tecido de verde-claro, o arsênico também era encontrado em vestidos, luvas, sapatos e coroas de flores artificiais que as mulheres usavam para decorar seus cabelos e roupas.

Em 1910, o Comitê Britânico de Segurança contra Incêndios demonstrou em um experimento o quão altamente inflamável a flanela de algodão é. A vestimenta da esquerda foi tratada com retardante de chamas, enquanto a da direita não foi tratada e foi destruída pelas chamas em 60 segundos.

Foto de Bloomsbury e Wellcome Library, Londres.


As coroas, em particular, podiam causar erupções cutâneas nas mulheres que as usavam. Mas, assim como os chapéus de mercúrio, os chapéus de arsênico eram mais perigosos para as pessoas envolvidas no processo de fabricação, diz Matthews David.

Em 1861, uma fabricante de flores artificiais de 19 anos chamada Matilda Scheurer – cujo trabalho era polinizar flores com pó verde contendo arsênico – morreu de uma morte agonizante e “colorida”. Ela teve convulsões, vomitou e saiu espuma da boca. Sua bílis era verde, assim como suas unhas e o branco de seus olhos. Uma autópsia encontrou arsênico em seu estômago, fígado e pulmões.

Os artigos de jornal sobre a morte de Scheurer e a situação dos fabricantes de flores artificiais aumentaram a conscientização pública sobre o uso de arsênico na indústria da moda. O British Medical Journal escreveu que uma mulher vestida com arsênico “carrega veneno suficiente em suas saias para matar todos os admiradores que ela possa encontrar em meia dúzia de salões de baile”. Em meados do final do século XIX, tais alegações sensacionalistas fizeram com que o público se voltasse contra esse tom mortal de verde.


Segurança da moda

Preocupações públicas sobre o arsênico levaram à proibição do produto químico na indústria da moda – pelo menos na Escandinávia, França e Alemanha, mas não no Reino Unido.

Mas a invenção de corantes sintéticos também tornou mais fácil prescindir do arsênico, explica Elizabeth Semmelhack, curadora-chefe do Bata Shoe Museum, em Toronto, Canadá.

O arsênico era usado tanto como corante quanto como tinta. Não apenas as roupas verdes e as flores artificiais anunciadas neste desenho de 1840 continham arsênico, mas também a própria ilustração.

Cortesia Alison Matthews David.


Isso também levanta questões interessantes sobre a indústria da moda atual. Vestidos de arsênico podem parecer relíquias bizarras de uma era mais brutal, mas a moda mortal ainda está muito na moda. Em 2009, a Turquia proibiu o jateamento de areia . O tecido jeans é tratado com areia para lhe dar a popular aparência usada. No entanto, os trabalhadores desenvolveram silicose ao inalar os mais finos grãos de areia. “Esta não é uma doença curável”, diz Matthews David. “Se você tiver areia nos pulmões, você morrerá.”

Mas quando um método de produção perigoso é proibido em um país – e a demanda por roupas feitas dessa maneira continua alta – então a produção geralmente é transferida para o exterior (ou continua apesar da proibição). Em 2015, a Al Jazeera descobriu que algumas fábricas chinesas faziam jateamento de areia em roupas.

No século XIX, homens que usavam chapéus de mercúrio ou mulheres que usavam roupas e acessórios contendo arsênico ainda podiam encontrar as pessoas que fabricavam esses produtos nas ruas de Londres. Mas em nossa economia globalizada, muitos de nós não percebemos mais o impacto mortal que nossas preferências de moda têm sobre outras pessoas.


Por Becky Little
Fonte: https://www.nationalgeographic.de/geschichte-und-kultur/2018/10/die-toedliche-mode-des-19-jahrhunderts

quarta-feira,
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de
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Início da Indumentária/Origem da Moda: Agulhas do paleolítico e evolução das vestes

Estar bem vestido tem uma longa e fascinante história que remonta à civilização humana. Evidências arqueológicas sugerem que a apreciação de nossos ancestrais por roupas vai além da mera funcionalidade.

Os primeiros humanos inicialmente usavam ferramentas de pedra para preparar peles de animais para isolamento térmico, abordando a necessidade básica de proteção contra elementos ambientais. No entanto, uma mudança significativa ocorreu com a invenção de furadores de osso e agulhas com furos. Esses avanços tecnológicos permitiram a criação de vestimentas ajustadas e adornadas, marcando uma transição no propósito das roupas.

Impressão artística de roupas sob medida decoradas no Paleolítico Superior. Crédito: Mariana Ariza


Um estudo científico recente propõe que as agulhas com furos representaram uma inovação crucial na história humana. Essa tecnologia permitiu que as pessoas criassem roupas mais intrincadas e decorativas, servindo a propósitos sociais e culturais além da simples proteção. A capacidade de criar vestimentas detalhadas provavelmente facilitou a expressão de identidades individuais e de grupo.

Este desenvolvimento significa um momento crucial na cultura humana, quando a vestimenta evoluiu de uma necessidade puramente prática para um meio de autoexpressão e comunicação social. O estudo sugere que essa mudança marca o início do uso de trajes para transmitir status, afiliações e identidade pessoal dentro de grupos sociais.

A pesquisa fornece ideias valiosas sobre as origens da moda e seu papel na sociedade humana, demonstrando como as inovações tecnológicas na produção de roupas moldaram nossa evolução cultural ao longo do tempo.

"Ferramentas como agulhas com furos são um desenvolvimento importante na pré-história porque documentam uma transição na função das roupas, de utilidade para propósitos sociais", diz o Dr. Ian Gilligan, associado honorário na disciplina de Arqueologia da Universidade de Sydney.

"Por que usamos roupas? Presumimos que isso faz parte do ser humano, mas quando você olha para diferentes culturas, percebe que as pessoas existiam e funcionavam perfeitamente adequadamente na sociedade sem roupas", diz o Dr. Gilligan.

"O que me intriga é a transição da vestimenta de uma necessidade física em certos ambientes para uma necessidade social em todos os ambientes."

Agulhas com furos da última era glacial. Crédito: Gilligan et al, 2024.


O desenvolvimento de agulhas com furos é um marco significativo na história humana. Essas ferramentas apareceram pela primeira vez há aproximadamente 40.000 anos na Sibéria e são consideradas um dos artefatos paleolíticos mais icônicos da Idade da Pedra. As agulhas com furos representam uma tecnologia mais avançada do que suas predecessoras, furadores de osso, que eram ferramentas mais simples feitas de ossos de animais afiados.

Furadores de osso eram suficientes para criar roupas justas, mas agulhas com olho ofereciam capacidades aprimoradas. Essas agulhas são essencialmente furadores de osso modificados com um furo perfurado, ou "olho", que permite a passagem de tendões ou outros materiais. Essa inovação facilitou muito o processo de costura.

O surgimento de agulhas com furos provavelmente indica uma mudança em direção a uma produção de roupas mais sofisticadas. Evidências arqueológicas sugerem que, embora furadores de osso já estivessem sendo usados ​​para criar roupas sob medida, a introdução de agulhas com furos pode ter produzido vestimentas mais complexas e multicamadas. Além disso, essas ferramentas provavelmente desempenharam um papel crucial no adorno de roupas, permitindo a fixação de contas e outros pequenos itens decorativos às vestimentas.

"Sabemos que as roupas até o último ciclo glacial eram usadas apenas em uma base em si. As ferramentas clássicas que associamos a isso são raspadores de couro ou raspadores de pedra, e as encontramos aparecendo e desaparecendo durante as diferentes fases das últimas eras glaciais", explica o Dr. Gilligan.

"É por isso que a aparência de agulhas com furos é particularmente importante, porque sinaliza o uso de roupas como decoração", diz o Dr. Gilligan. "Agulhas com furos teriam sido especialmente úteis para a costura muito fina que era necessária para decorar roupas."

Locais de sítios arqueológicos com furadores de osso e agulhas com furos.
Crédito: Gilligan et al, 2024.


As roupas servem a múltiplos propósitos além da proteção e do conforto. Elas expressam identidade individual e cultural, facilitam a expansão social e permitem a habitação em regiões mais frias. Estilos de roupas compartilhados fomentaram a coesão da comunidade, enquanto as habilidades de produção contribuíram para a sobrevivência humana. A prática de cobrir o corpo persiste em climas e culturas.

A pesquisa do Dr. Gilligan explora os aspectos psicológicos do uso de roupas. Essa abordagem multifacetada destaca a importância das roupas em contextos físicos, sociais, culturais e psicológicos, fornecendo insights sobre adaptação humana, desenvolvimento social e expressão individual ao longo da história.

"Nós tomamos como certo que nos sentimos confortáveis ​​usando roupas e desconfortáveis ​​se não estivermos usando roupas em público. Mas como usar roupas impacta a maneira como nos vemos, a maneira como nos vemos como humanos e talvez como olhamos para o ambiente ao nosso redor?" Dr. Gilligan pergunta.


Fonte do estudo: Science Advances

Escrito por Conny Waters – AncientPages.com Staff Writer

quarta-feira,
23
de
quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Qual é a origem das roupas íntimas?

O Rei Tutankamon, do Egito, foi enterrado com 145 peças íntimas – que foram projetadas na época. Essas roupas íntimas inspiraram nossas modernas cuecas e boxers – que hoje fazem sucesso até em propagandas.

Os antigos egípcios usavam shendyt, já os romanos usavam subligaculum e o mundo medieval adotou braies e chausses (que se assemelham a bermudas e leggings de hoje em dia) antes da introdução do codpiece (braguilha, em português) durante o Renascimento. Durante todo esse tempo, um elemento permaneceu consistente: cobrir as partes íntimas do homem. Foi só muito mais tarde que surgiram as cuecas de algodão e as cuecas boxer. No final, a história da roupa íntima é uma mistura de praticidade, mudança e moda.


Formas antigas e primitivas de roupas íntimas

A forma mais antiga de roupa íntima era a tanga. Na pré-história, as tangas eram usadas por homens e mulheres, feitas com tiras de tecido que passavam entre as pernas e eram presas na cintura.

Os antigos egípcios criavam faixas triangulares de linho com cordões nas pontas. Os observadores modernos podem associar o visual a um kilt escocês, mas os comprimentos desses shendyt variavam. Os shendyt eram usados pelos faraós e, posteriormente, por membros de classes sociais mais baixas. Na verdade, o rei Tutankamon foi sepultado com 145 shendyt, uma grande coleção de tangas para levar com ele para o submundo.

Escultura em pedra de calcário de um eleitor masculino com calção cipriota e uma coroa egípcia, Arcaico, datado da primeira metade do século 6 a.C.
Foto de Sepia Times, Universal Images Group, Getty Images.


Vênus de biquíni. Cópia em mármore romano de um original helenístico encontrado na Casa de Julia Felix em Pompéia (século 1 d.C.) que está em exposição no Gabinete Secreto no Museu Arqueológico Nacional em Nápoles, Campânia, na Itália.
Foto de Azoor Photo, Alamy Stock Photo


A nudez era muito mais aceitável na Grécia antiga, mas, mesmo lá, podiam ser usadas roupas íntimas comparáveis às dos egípcios, chamadas perizoma. Enquanto isso, os antigos romanos tinham suas próprias roupas íntimas para usar por baixo de uma túnica, toga ou manto: usadas em meados do século 2 d.C. e adaptadas dos antigos etruscos, o subligaculum romano podia se assemelhar a uma tanga ou parecer mais com um par de shorts.

Da mesma forma, durante a Idade Média, os celtas e as tribos germânicas usavam bermudas largas chamadas braies. Não está claro se tanto homens quanto mulheres usavam braies (ou com que frequência eles eram usados por ambos), mas sabe-se que os homens usavam um cinto ou cordão para segurar seus braies. Alguns também usavam chausses, que parecem calças leggings, e, no século 15, as duas peças se tornaram mais ou menos uma só.

Essas roupas íntimas acabaram dando lugar a codpieces (braguilha) que são peças mais elaboradas, projetadas não apenas para cobrir, mas para proteger as partes íntimas do homem. As braguilhas eram feitas de materiais mais rígidos, decorados, recheados e cada vez maiores para dar a entender a suposta virilidade de um homem.

O rei Henrique 8ª da Inglaterra é conhecido por ter usado codpieces (braguilha, em português) – de acordo com a moda da época, quanto maior e mais elaborado o codpiece, mais másculo era o usuário.

Foto de Fine Art Images, Heritage Images, Getty Images


Boxers, cuecas e outras inovações em roupas íntimas

Mas a necessidade de roupas de tecido para usar sob túnicas e similares permaneceu. No início do século 19, as pantalonas surgiram como parte prática de qualquer roupa para homens e mulheres, pois mantinham as roupas externas limpas ao absorver a sujeira e o suor.

Esse período também trouxe a introdução dos ternos de união – os antecessores dos casacos longos e macacões – para atender às necessidades de homens e mulheres. Os homens podiam usar blusas e camisas do lado de fora, enquanto as mulheres podiam dispensar os espartilhos, as meias e as ligas. Isso foi útil porque a industrialização significava que mais homens e mulheres estavam trabalhando em fábricas.

Em 1876, os homens norte-americanos geralmente usavam peças íntimas como esta calça comprida de cor creme, que se fechava na cintura.

 Foto de Heritage Art, Heritage Images via Getty Images.


Quando as bicicletas chegaram às ruas, as jockstraps ofereceram suporte adicional aos ciclistas enquanto pedalavam pelas ruas esburacadas. As primeiras jockstraps (nomeadas em homenagem às correias usadas pelos "jóqueis de bicicleta" e é um tipo de cueca própria para prática esportiva, com maior suporte) foram lançadas em 1874.

As roupas íntimas e os artigos esportivos permaneceram ligados no início do século 20 graças a Jacob Golomb e seus maiôs de cintura elástica e calções de boxe – uma inovação que deu origem aos shorts de boxe como roupas íntimas: as cuecas boxer.

As cuecas do estilo boxer (que parecem shorts curtos) não eram muito populares no início, mas o mesmo não aconteceu com as cuecas tradicionais, que também foram desenvolvidas no início do século 20. Em 1928, Arthur Kneibler foi contratado pela Cooper Underwear Company, onde o "engenheiro de vestuário" introduziu cuecas com estilo de jockstraps. Os shorts jockey de Kneibler foram um sucesso imediato quando chegaram às prateleiras das lojas em 1935.

Nomes de marcas conhecidas estavam no centro das inovações em roupas íntimas dos séculos 19 e 20. A Hanes capitalizou o mercado de ternos de sindicato, os esforços da Golcomb’s tornaram-se a empresa de roupas esportivas Everlast e as cuecas da Kneibler inspiraram a Cooper a mudar seu nome para Jockey. O logotipo com o nome apropriado da Fruit of the Loom também podia ser encontrado em roupas íntimas na virada do século.


A roupa íntima se torna popular

As roupas íntimas tornaram-se um item de moda nas décadas de 1950 e 1960, pois passaram do branco tradicional para uma variedade de cores e padrões, e o desenvolvimento de tecidos como rayon e Dacron possibilitou novos estilos para homens e mulheres.

Como resultado, as propagandas de roupas íntimas se tornaram mais explícitas – e as calcinhas de biquíni e as tangas de náilon logo acompanharam as Tighty-Whities (como os shorts de jóquei da Kneibler seriam chamados mais tarde) nas campanhas de marketing.

Nas décadas de 1980 e 1990, o mundo estava debatendo a questão crítica: boxers ou cuecas tradicionais? As cuecas boxer se tornaram cada vez mais populares após a Segunda Guerra Mundial, pois os homens que serviam nas forças armadas se adaptaram às boxer padrão – que são mais largas, como no Brasil chamamos as “cuecas samba canção”.

Mas, com o passar do século, as pessoas começaram a questionar se havia benefícios para a saúde em usá-las – e surgiu uma tendência de pedir a homens famosos, inclusive o presidente dos Estados Unidos na época, Bill Clinton, que compartilhassem qual tipo de cueca usavam.

Logo, porém, surgiu uma nova opção: as cuecas boxer híbridas dos dois estilos. O designer da Calvin Klein, John Varvatos, é considerado o inventor das cuecas boxer (mais justas) no início dos anos 1990, embora ele possa não ter sido a primeira pessoa a ter a ideia.

Elas decolaram depois de uma campanha publicitária da Calvin Klein em 1992, que apresentava o rapper que se tornou ator Mark "Marky Mark" Wahlberg usando apenas cuecas boxer brancas da Calvin Klein. Os anúncios explícitos, fotografados pelo fotógrafo Herb Ritz, geraram polêmica e, no processo, tornaram a Calvin Klein um nome conhecido na moda de roupas íntimas.

A inovação em roupas íntimas diminuiu desde então, mas você pode ter certeza de que, quando um novo produto for lançado, o público provavelmente o verá em plena exibição. Afinal, as marcas seguem destacando suas propagandas de roupas íntimas com homens famosos pelos quatro cantos do mundo.


* Texto por Por Melissa Sartore
Publicado 30 de jan. de 2024 originalmente no link: 

segunda-feira,
24
de
segunda-feira, 24 de junho de 2024

A Pioneira Fotógrafa de Moda: Lady Clementina Hawarden

Lady Clementina Hawarden (1822 - 1865) é considerada a "primeira" fotógrafa de Moda. É daquelas mulheres que a gente admira por terem dado um passo à frente na história, porque no século XIX as mulheres ainda não tinham muito espaço socialmente. Naquela época, a fotografia era dominada por homens, com temas masculinos e principalmente arquitetônicos. O fato de uma mulher ter tido reconhecimento em sua época por apresentar temas femininos foi uma tremenda realização, mas também demonstra que ela teve acesso à essa tecnologia, possivelmente por sua condição social. 
Lady Hawarden trabalhava com uma câmera estereoscópica e fotografava na propriedade de sua família irlandesa em 1857 e continuou o seu trabalho quando se mudou para Londres em 1859. Lá, tirou fotos de suas três filhas mais velhas Isabella Grace, Clementina e Florence Elizabeth. As meninas foram freqüentemente fotografadas em poses românticas. Lady Hawarden exibia suas fotos, ganhou medalhas de prata em 1863 e 1864 e era admirada por Oscar Rejlander e Lewis Carroll, que adquiriu cinco imagens de autoria da fotógrafa. Recentemente, a coleção de fotos abaixo foi avaliada em £150,000, aproximadamente R$450.000,00.


Na foto abaixo, à esquerda, Isabella Hawarden usa um vestido diurno convencional e sua irmã Florence (a moça do lado direito) teve a crinolina removida para o vestido caber na foto. O curioso é que a gente tem a impressão de que mesmo com crinolina o vestido caberia na foto... e está usando um tecido branco adicional envolto de uma forma que reflete a forma do vestido de Isabella. Alterar as peças de moda com intuito de fotografar, nos lembra o trabalho atual dos stylists.

 

Aqui, aparentemente é o mesmo vestido branco acima:


Esta foto de Isabella foi usada na capa da obra de Wilkie Collins intitulada Woman in White. A imagem tem um ar de privacidade e mistério que caracteriza o trabalho de Lady Hawarden. 


Isabella e Clementina em vestidos boêmios. 
Opa! Você sabe o que é um vestido boêmio não é? Se não sabe, leia este post ;)
Não é curioso que quando tiramos aquelas roupas estruturadas dos vitorianos e eduardianos e colocamos neles roupas mais fluidas eles começam a parecer contemporâneos? Até mesmo pose das duas garotas abaixo é parecem atuais. Impressionante como vestir uma roupa sem estruturas altera a forma como se usa o corpo, não é?


Mais uma foto de uma de suas filhas. Lady Hawarden sempre as colocava em situações fantasiosas, pensativas ou melodramáticas...


... aqui por exemplo, as filhas Isabella e Clementina atuam num psicodrama como se estivessem em uma pintura narrativa.



Clementina canalizando grande emoção, num estudo de luz e sombra.


Clementina vestida como um homem com Isabella em trajes femininos


Abaixo, duas imagens de Clementina atuando como uma heroína trágica. Ela usa um véu, seria uma noiva abandonada?



Quartos silenciosos e escassamente mobiliados e mulheres em pose solenes usando roupas extravagantes. O mundo exterior é distante, como um sonho. Essa sensação de romance e fantasia caracterizam os temas góticos explorados na Era Vitoriana. As três filhas de Lady Clementina Hawardem parecem como versões crescidas de Alice do País das Maravilhas. A própria Lady Clementina conheceu Lewis Carroll como colega de fotografia. Na foto abaixo, referência à Alice? Em ambos os lados do espelho, um outro mundo:



Mais fotos, a maioria em interior de residência. Naquela época, mulheres ficavam muito mais no espaço privado do que no espaço público. 


Lady Clementina Hawarden morreu aos 42 anos em 1865. Tem sido sugerido que sua saúde estava gravemente afetada pelos produtos químicos utilizados nos processos fotográficos. Mesmo com uma vida tão breve, podemos a considerar uma das maiores fotógrafas do século XIX. Resgatar a História das Mulheres e valorizar seus contextos é importante - sem comparar com o trabalho dos homens - afinal, haviam limitações justamente por ela ser do sexo feminino. Que mais histórias de mulheres sejam resgatadas para apreciação.

O museu Victoria and Albert de Londres inclui em sua coleção, fotografias originais de Lady Hawarden [aqui].

Fontes Consultadas (texto e fotos):
- http://www.telegraph.co.uk/culture/culturepicturegalleries/9854840/Lady-Clementina-Hawarden-one-of-Britains-first-female-photographers.html?frame=2473604
- Parte traduzida do texto foi autorizado por email por David Walker do The Library Time Machine.

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