quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Erros a serem evitados ao criar um Traje Histórico

Se houvessem 7 erros que você não deveria cometer ao tentar criar um traje histórico, quais seriam eles? Leia um post sobre o processo de desenvolvimento desta idéia.

No começo do ano, um amigo meu, organizador do Picnic Vitoriano SP, disse que queria fazer uma brincadeira de "7 pecados revivalistas".
Pra quem não sabe, existem alguns grupos de Revivalismo Histórico no Brasil. São grupos de apreciadores de períodos que vão da Idade Média à Era Eduardiana que realizam uma série de atividades (picnics, chá das cinco, saraus, passeios fotográficos etc) abertas ao público em geral. Eu participo de dois grupos auxiliando em textos e dúvidas sobre história da moda.

A organizadora do Picnic Vitoriano SP Priscilla em ótima réplica de traje de Amélia de Leuchtenberg.

Pra colocarmos a idéia dos "7 pecados" em prática, nos baseamos em nossos conhecimentos (ambos já estudamos Moda) e experiência com estes eventos. Criamos uma lista do que seriam os "7 pecados" como segue a conversa abaixo:

desenvolvendo a idéia; mantendo metade das identidades ;-)

A partir disso, fizemos um resumo dos principais ítens no post e partimos em busca de algumas consultas e pesquisas extras. Durante minha pesquisa, vi que um site de reprodução de trajes [este], havia abordado também o tema de erros em trajes. Fiquei preocupada por ser uma ideia muito semelhante mas ao mesmo tempo sossegada porque significou pra mim que nós não estávamos tão viajantes assim no tema e não seríamos tão "agressivos" ao lançar um post desse tipo já que algumas pessoas poderiam achar ruim a gente apontar erros. Mas saber os erros comuns tem se revelado fundamental pra montar um bom look. Essa semelhança de temas entre os sites me fez lembrar de algo que eu já tinha observado na questão de História da Moda:
A História da Moda está aí, escrita em livros, embora cada autor tenha sua visão e algumas versões hipotéticas de algumas épocas, no geral, nada muda muito. Se você quiser falar sobre os tipos de robes que existiam na Era Rococó, você vai encontrar diversos textos na web falando sobre isso, o que muda é a sua abordagem. Eu direto caio em blogs estrangeiros de história da moda com textos baseados em livros que tenho, e aí pra gente abordar o mesmo tema, consultando o mesmo livro, tem que se virar pra contar a mesma história de forma diferente. Ter a mesma ideia, ainda mais num nicho tão específico é comum, como em história da moda, certas informações são "fixas" e não tem como mudá-las, o jeito é recontar da sua forma.

Pra este post em questão, dos 7 pecados revivalistas, busquei também informações no meu acervo acadêmico de figurino e principalmente na experiência própria de fazer roupa e nas aulas da faculdade. Lembro de uma professora falando da "silhueta, a importância da silhueta"... nossa, nunca saiu da minha cabeça "a importância da silhueta" em história da moda e os artifícios (underwear) usados pra torná-la real. A seguir, veio as aulas de "desenvolvimento de coleção": a importância de escolher os tecidos certos pra fazer a roupa cair como você quer. A partir daí,  pensar na roupa e em todos seus adereços. A silhueta é importante, a underwear é importante, escolher o traje adequado pra cada momento é importante. Foi baseado nisso que mudei a ordem de importância dos erros sugerida na conversa com meu amigo. 

Lembro me que, assim que publicamos o link post no facebook, uma moça comentou que "corsets eram usados por cima da roupa sim!". Na verdade, no século XIX, na chamada "cintura suiça", eles se assemelhavam mais a corselets e as mulheres usavam corset por baixo daquele traje mesmo assim, porque como vimos [neste post], os corsets naquela época também funcionavam como sustento dos seios.

Então, eu mais ou menos pus a ordem de importância assim:
1º Pecado: Silhueta histórica incorreta
A silhueta deve ser a primeira coisa observada por você num traje histórico.
Se você acha que é um pouco difícil criar silhuetas históricas muito diferentes do seu biotipo, procure escolher uma silhueta histórica que seja semelhante à sua silhueta natural. 

2º Pecado: Corset por cima da roupa/underwear inadequada
Não é apenas a silhueta que faz uma roupa parecer autêntica mas também o uso adequado das roupas de baixo. O corset (espartilho), por exemplo, é underwear e lingerie. Corsets usados de forma aparente só foram assim usados a partir do fim do século XX pelas subculturas. As crinolinas, paniers também são underwear e dão a forma correta da silhueta.
 
3º Pecado: Escolha incorreta de tecidos/estampas
As referências em trajes revivalistas costumam ser da elite, sendo assim os tecidos costumam ser de ótima qualidade. Se você tem pouco dinheiro, não se preocupe, basta procurar um bom tecido com preço acessível. Embora antigamente não existissem tecidos sintéticos, atualmente há sintéticos de boa qualidade que não parecem tão sintéticos assim e podem ser usados pra réplicas. Na dúvida, opte por tecidos naturais. 

4º Pecado: Falta de ornamentação
Acessórios eram muito importantes antigamente, algumas vezes usados até dentro de casa. Eles definiam até mesmo a classe social das pessoas. 

5º Pecado: Cabelos e/ou maquiagem em desacordo
Se não puder ou não encontrar um chapéu, peruca ou algo que represente o período histórico escolhido, faça um penteado simples próximo ao da época escolhida.

6º Pecado: traje noturno x traje diurno x traje passeio x traje chá
Se hoje nós  usamos apenas uma roupa um dia inteiro, imagine que na Era Vitoriana houve até oito trocas de roupas! 

7º Pecado: Reconstituição histórica confusa
O que consideraríamos um traje confuso? Misturar épocas diferentes como a parte de cima vitoriana e a de baixo medieval ou misturas de muitas épocas num mesmo traje.

E o texto completo? 
Não compensa eu reproduzir ele todo aqui, então gostaria que visitassem o seguinte link no site do Picnic Vitoriano SP pra ver o resultado:



10 comentários:

  1. Adoro moda com história! Parabéns, pelo blog!

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  2. Estou com uma dúvida, mas não encontrei a resposta no blog. É muito comum ver em festas com caráter histórico, mulheres que usam trajes medievais com ilhós na parte frontal superior do vestido. Isso é correto?

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    1. Os ilhóses foram invetnados no século XIX, conforme escrevi no post de outubro de 2013 sobre corsets. Na era medieval, os furinhos eram apenas costurados em volta, como são hoje as casas de botões =)

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    2. Acabei me expressando errado, tentei resumir demais... desculpa. Vou tentar explicar com mais detalhes: vi várias "réplicas" de vestidos medievais do século XVIII e XIX que usam uma espécie de fita de se cruza diversas vezes em toda a parte frontal, do peito até a barriga (igual aos cadarços de sapato). Essas fitas são fixadas no corpete. Isso é correto? Ou é uma releitura errônea daquele amarril que usavam para prender a sobreveste?
      Aqui tem uma foto semelhante ao que estou tentando dizer:http://i00.i.aliimg.com/wsphoto/v0/995827974/Drop-Shipping-New-Ladies-Red-Restoring-Medieval-Queen-Princess-Fancy-Dress-Halloween-Party-Costume.jpg

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    3. Silvia, deixa ver se entendi rsrsrs!
      Haviam amarrações frontais sim mas elas não eram fixas, que eu saiba, pois essas amarrações eram justamente pra poder dar a forma ao corpo porque naquela época houve um começo de mudança na modelagem das roupas, elas começaram a se ajustar ao corpo.

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    4. Era isso mesmo rs. Muito obrigada pela atenção.
      Parabéns pelo seu blog, estou aprendendo muito com suas postagens.

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    5. Ah que bom que agora nos entendemos =D
      De nada!

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  3. Eu vejo que nas novelas de época ás vezes tem algumas falhas no figurino.O figurino ás vezes está errado.

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    1. Sim, é verdade! Ocorre com frequência, os figurinos tem mais liberdade artítica, digamos assim.

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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥