A Belle Époque carioca foi o período em que a cidade do Rio de Janeiro passou por grandes transformações urbanísticas que buscavam transformá-la na "Paris dos Trópicos".
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Foto de Augusto Malta |
Entre os anos de 1873 e 1943 existiu no Rio de Janeiro uma loja de departamentos chamada Parc Royal, fundada pelo português José Vasco Ramalho Ortigão. Era localizada na rua do Ouvidor, no Largo São Francisco. Tinha roupa masculina, feminina, infantil além de tecidos e artigos para a casa, tudo dividido em 32 seções de venda e diversas dependências para uso dos fregueses, com preços competitivos, era um local onde se poderia encontrar o que havia de melhor, acompanhando a evolução da moda e dos hábitos da elite.
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Foto de Augusto Malta |
Au Parc
Royal foi inaugurado em 1873 no Largo de São Francisco,
começando como um pequeno armarinho no prédio nº 122 e logo expandiu-se
para os prédios adjacentes, com o sucesso, em 1911, a loja se
transferiu sua sede para a Rua do Ouvidor, passando a ocupar um
quarteirão inteiro.
Inauguração da nova loja
A Rua do Ouvidor foi o grande polo de moda do Rio de Janeiro daquela época e o sucesso da Parc Royal se dava em parte por eles importarem as novidades direto de Paris (mas também vendia vestidos de anquinha costurados por escravas). Seu auge foi entre as décadas de 1910 e 1920 - essa é a época foco do livro lançado em 2013 "Parc Royal: um magazine na belle époque carioca".
A autora faz paralelos entre o magazine e outras questões, como a transformação de uma cidade colonial para um Rio moderno e afrancesado que adotava padrões europeus de civilidade. Além do papel da mulher na sociedade carioca e as transformações na indumentária que aconteceram com o tempo, a cultura das aparências e do uso de campanhas publicitárias com lições de etiqueta e onde a beleza e a elegância da mulher era retratada como uma força soberana diante do homem.
Antes dos grandes magazines, a moda chegava ao Brasil pela revista francesa “La Mode Illustrée”, a loja de departamentos pioneira no RJ, foi a Notre Dame de Paris, inaugurada em 1848, mas não teve tanta expressão quanto o Parc Royal. Este tipo de comércio transformavam roupas e acessórios em objetos de desejo e o vestir em símbolo de transgressão feminina.
O magazine acompanhou o desenvolvimento e o progresso da cidade do Rio. Foi o primeiro estabelecimento carioca a ter uma escada rolante instalada, haviam ventiladores no teto para maior comodidade dos clientes, tecnologias modernas para uma população estava ávida por novidades. Parc Royal foi precursora também do sistema de preços fixos. A cliente via o preço na vitrine e sabia que ao entrar na loja o mesmo não seria modificado, além de distribuir catálogos onde se podia se fazer encomendas que seriam enviadas direto de sua filial em Paris.
Comprar no Parc Royal era um passaporte para a demonstração de uma posição social superior. Elegância, distinção, beleza e novidade eram palavras repetidas à exaustão. Os anúncios tinham um caráter didático: mostravam o que era certo ou errado ao vestir, sempre baseados em normas estritas. Algumas publicidades eram verdadeiros manuais de etiqueta e civilidade.
"Por meio das fotos e dos anúncios, percebe-se que o magazine era bem elitista. Por outro lado, como uma loja de departamentos, o Parc Royal fazia questão de se apresentar como democratizador de elegância, como se fosse capaz de levar um estilo de vida a uma parcela maior da população, que poderia ascender socialmente justamente através do consumo." Marissa Gorberg
"Enormes chapéus cheios de plumas, vestidos de baile, casacos e estolas de pele, luvas, leques e sombrinhas estavam entre os produtos trazidos diretamente de Paris para as mulheres. Para os homens, os ternos “Palm Beach”, sucesso do verão na época, ceroulas francesas de pura lã, gravatas de seda, binóculos de madrepérola da marca francesa Lemaire, “casacos para automóvel”. A moda também exigia elegância nos banhos de mar: o rol de peças incluía costumes de tafetá de seda e cetim impermeáveis, capas de felpo, alpaca e cetim, além de, vejam só, sapatos de banho." Marissa Gorberg
Além das lojas do Largo de São Francisco e da Avenida Central (hoje Rio Branco), o Parc Royal tinha filiais em Juiz de Fora e Belo Horizonte e um escritório em Paris, que fazia a remessa das mercadorias importadas.
A loja funcionou por 70 anos até que em 9 de julho de 1943, pegou fogo, em um dos maiores incêndios da história do centro do Rio. As chamas foram tão fortes que o prédio desabou. Triste fim para uma incrível história de um dos magazines mais importantes da história da moda nacional.
Pra saber mais: Parc Royal: um Magazine na Modernidade Carioca
Entrevistas com Marissa Gorberg:
Marissa Gorberg e a história do Parc Royal - Menorah na TV
e Programa Todo Seu - Entrevista: Parc Royal, um Magazine na Belle Époque Carioca (29/04/14)
De uma lojinha a um shopping... esse entendia das publicidades... rs
ResponderExcluirMuito interessante, pena que teve esse fim trágico.
bjin
http://monevenzel.blogspot.com.br/
Quando com 14 anos trabalhei na Imperial modas na rua Gonçalves Dias centro da moda do rio belos tempos
Excluira historia do parc royal é real mente muito interessante
ResponderExcluirhttp://www.pontualmudancas.com