terça-feira, 11 de junho de 2013

Piercings na Era Vitoriana e Eduardiana

O post anterior foi sobre as mulheres tatuadas da Era Vitoriana. Ter tatuagens foi uma breve tendência entre a elite e durou até o momento em que as tattoos chegaram à classe mais baixa da população. As mulheres tinham desenhos ou nomes de seus maridos em lugares que só ficavam expostos nas horas de intimidade. Também foi relatado que muitas damas da alta sociedade tiveram lábios e bochechas tatuados, assim como a socialite americana que se tornou princesa belga, Clara Ward - a Princesa de Caraman-Chimay, que teria tatuagens escondidas nos braços. Em 5 de abril de 1901, o jornal Corriere della Sera, de Milão, comentou sobre a mania de "que até mesmo senhoras estão tendo tatuagens nas partes menos expostas de seus corpos".


Mas esta postagem é sobre outra modificação corporal: os piercings.

Assim como com as tatuagens, ocorreu uma breve mania de damas da alta sociedade terem seus mamilos adornados com piercings em fins da Era Vitoriana, na década de 1890. Sabe-se da existência de ao menos um joalheiro inglês e um joalheiro parisiense que ofereciam este serviço à clientes do sexo feminino. Os motivos dessa moda é que as mulheres acreditavam que os piercings fariam seus seios crescerem mais redondos e atraentes. Outra teoria é que elas desfrutavam as sensações prazerosas do acessório encostando nas roupas.

Existem dois livros que falam sobre o assunto, um deles de Stephen Kern, chamado "Anatomy and Destiny", conta que as jóias eram vendidas em uma loja cara de Paris, os chamados "anneaux de sein", eram inseridos no mamilo e algumas mulheres usavam um de cada lado ligados por uma corrente delicada.
Na inglaterra, havia um único joalheiro na Bond Street que colocava piercings nos mamilos de damas e jovens mulheres elegantes de Londres. 
Uma certa Madame Beaumont fazia o procedimento em Paris, é o que conta uma jovem mulher e sua irmã em 1889:
    
"... Uma certa Madame Beaumont, faz a operação como parte de seu negócio. Obtivemos o endereço dela, e marcamos um horário para visitá-la. Encontramo-la ocupando um apartamento elegantemente mobilado, numa rua que vai parar na Rue de Rivoli... o negócio de Madame B é ministrar os pequenos desejos e necessidades das mulheres, tais como tingimento de cabelo, esmaltagem, corn doctoring, perfuração de orelha e ocasionalmente, os mamilos. Ela tem bastante variedade de anéis de ouro feitos expressamente para esse fim, e ela nos mostrou que tanto ela quanto a filha os estavam usando no momento.
    Madame B inventou um instrumento com a finalidade de assegurar que a perfuração seja feita na direção correta através do mamilo e sem qualquer chance de fracasso. É algo com o formato de pinças de açúcar, mas em vez de colheres nas extremidades há um par de tubos pequenos de cerca de 1 polegada de comprimento, um em linha reta com o outro, de modo que, quando o mamilo é agarrado nas extremidades dos tubos, um perfurador pode ser passada através, sem qualquer possibilidade de se desviar da sua trajetória...
    Eu fiquei parcialmente despida e sentada sozinha em um sofá ao lado de Madame B, que passou o braço em volta de meu pescoço e me segurou com firmeza. Madame B, em seguida, banhaou meu seio direito por alguns minutos com algo que cheirava benzoína, e parecia quase congelar. Ela então, ajustou o instrumento em direção ao mamilo e firmou, em seguida, antes de eu estar ciente de sua inserção, ela mergulhou o piercing através dos tubos...
    Ela então retirou e removeu as pinças, deixando o piercing ainda furando através do mamilo, o anel foi passado através do mamilo e fechado... Nós passamos as próximas horas banhando nossos seios com água canforada, que Madame B recomendou-nos a usar... depois de um tempo fomos capazes de nos vestir e ir". 


Muitas mulheres tiveram pequenas correntes ao invés de anéis presos de mamilo a mamilo, e uma célebre atriz do Gaiety Theater usava "uma cadeia de pérolas com um arco em cada extremidade." A idéia de que os seios ficavam mais redondos e excitados foi relatado por uma costureira de Londres, em uma carta para uma revista:


    "Durante muito tempo não conseguia entender por que eu deveria concordar com uma operação tão dolorosa sem razão suficiente. Logo, no entanto, cheguei à conclusão de que muitas mulheres estão prontas para suportar a dor por causa do amor. Eu achei que os seios de quem usava anéis eram incomparavelmente mais redondos e mais completamente desenvolvidos do que aqueles que não o fizeram... Então eu tive meus mamilos perfurados, e quando as feridas foram curadas, eu tinha anéis inseridos... No que diz respeito à experiência de usar esses anéis, só posso dizer que eles não são, no mínimo desconfortáveis ou dolorosos. Pelo contrário, a ligeira fricção e deslizamento dos anéis provoca em mim um sentimento extremamente excitante, e todos os meus colegas com quem falei sobre este assunto confirmaram a minha opinião."


Fontes consultadas:
http://lustintime.blogspot.com.br/2008/11/10-facts-about-edwardian-era.html
http://edwardianpromenade.com/edwardians/punk-rock-edwardians/

8 comentários:

  1. Cada coisa que nem imaginava.
    Muito legal!!

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    Respostas
    1. Legal né? E aí a gente vê que as coisas de hoje nem são tão novas assim hehehe! =D

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  2. Caraca que máximo, nem imaginava! Adorei... :D

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  3. Uau, tenho que admitir que esse é o melhor blog de todos os tempos! *---*
    Pelo menos para mim, um amante de história da moda. Parabéns pela postagem!

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  4. Eu nunca ia imaginar que naquela época faziam esse tipo de modificação. Claro que é bem diferente de hoje, pois se usa onde todo mundo pode ver e mais por senso estético do que "por amor" (deixar os seios mais redondos e belos para o marido) ou prazer sexual.
    Mas é incrível ver que não é algo tão novo quanto imaginávamos :)

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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥