domingo, 26 de maio de 2013

A Indumentária na Era Medieval – Parte 2: Anos 1200 a 1350 (Early Gothic)

Introdução

A Era Medieval, foi um período da História Européia que durou do século IV ao século XV. 
Os historiadores atuais dividem a Idade Média em três partes: Idade Média Inicial (476-1000), Alta Idade Média (1000-1300) e Idade Média Tardia (1300 – 1453). No século XIX, a Idade Média inteira era comumente chamada de “Dark Ages”.

As postagens sobre a Indumentária Medieval aqui do blog estão divididas em três partes que não tem a ver com as reais divisões históricas do período. As divisões foram feitas baseadas em mudanças significativas na vestimenta do período.  A postagem da Parte 1 abrange a Indumentária dos anos 400 a 1200; a Parte dois abrange o Early Gothic (Gótico Inicial): 1200 a 1350 e a Parte 3, o Late Gothic (Gótico Tardio): 1350 a 1450.

Idade Média – Anos 1200 a 1350

Referências visuais dessa época são pinturas, iluminuras, o belíssimo Codex Manesse que foi produzido (copiado e pintado) entre 1305 e 1340 em Zurique, Alemanha. Também há uma longa tira de linho conhecida como tapeçaria Bayeux, bordada pela Rainha Matilda e suas damas que é um rico exemplo de como era a vida e as vestimentas na Era Medieval.

 O Codex Manesse  representa 140 poetas e é ricamente ilustrado
 

Entre 1200-1300 (sec.XIII), as cidades e a classe próspera de comerciantes estavam crescendo. Era época das primeiras catedrais de arquitetua gótica e o início da Inquisição (1231).
A produção de tecidos se tornou mais fácil através da invenção da roda de fiar em 1290 e do tear horizontal, que aumentou qualidade de tecidos e aumentou produção em cerca de dez vezes mais. Houve um grande progresso no tingimento de lã, que era o material mais importante para uso externo. Para os ricos, a cor era muito importante. O azul foi introduzido pela primeira vez e tornou-se moda, sendo adotado pelos reis da França, como sua cor heráldica. Aliás, virou hábito as mulheres da nobreza se vestirem com cores de suas famílias. As roupas das classes altas e baixas distinguiam-se pela qualidade superior dos tecidos (sedas). E, as sedas tornaram as roupas mais atraentes.
Curiosidades: É do ano de 1300 a primeira menção ao uso de óculos e em 1307-1321 é lançado o poema Divina Comédia, de Dante.

A Moda de vestir-se com cores das Heráldicas:

Roupa Multicolorida
Neste século, os homens usavam túnicas lisas, de tamanhos variados e mangas justas, sobreveste e um casaco curto e justo. Debaixo das túnicas vestiam o Brial, uma roupa interior que chegava até aos joelhos. As meias (chausses) se aperfeiçoaram, agora eram ligadas à parte superior do traje, cobrindo não apenas as pernas mas também a parte inferior do tronco.  As calças em lã, linho ou seda, eram normalmente elaboradas com tecidos listrados ou com cores vivas. A moda eram roupas multicoloridas feitas de dois tecidos contrastantes, um de cada lado, o que foi especialmente popular na Corte Inglesa.  Os cabelos eram encaracolados caídos sobre as orelhas. Nos pés, sapatos ou botas de pontas pontiagudas.

A túnica longa e unissex usada há séculos foi substituída por um traje feminino como um vestido longo, ajustado e decotado, fechados por cordões. As mangas também eram justas e abotoadas do cotovelo ao punho. As sobrevestes tornaram-se populares. Não se sabe se as mulheres na Idade Média usarem roupa intima.

Grandes laços com botões eram usados para prender tecidos e embelezar bainhas, golas e punhos da túnica; porém o buraco para entrar o botão só foi inventado no Renascimento.
Os cabelos podiam ser soltos ou repartidos no meio enfeitados com fitas, grinalda de flores, diademas com pedras preciosas, coroas ou tiaras. Podiam fazer longas tranças aumentadas com cabelos falsos ou de pessoas mortas. As mulheres casadas usavam véu sobre os cabelos; as matronas usavam uma touca de linho cobria a garganta (e muitas vezes o queixo), e era usada sob o véu.
Os camponeses, tinham roupas básicas, simples e funcionais comumente nas cores cinza ou marrom. Os sapatos eram de pano pois couro era muito caro e muitas vezes andavam descalços enquanto trabalhavam.

No século XIV, a Europa viveu o início de uma Pequena Era do Gelo e a lã era o material mais importante para o vestuário. O comércio de têxteis continuou a crescer ao longo do século, mas as roupas eram muito caras, e mesmo os empregados dos ricos recebiam apenas uma roupa por ano como parte de sua remuneração. A seda ainda era o melhor tecido, um luxo importado e caro, vindo da Itália, dos Otomanos ou da China. A moda era um indicador de riqueza e status.
Os homens começaram a usar um manto ou xale longo, largo e sem mangas aberto dos lados, e um sobretudo comprido e largo com mangas longas e amplas.
As roupas ganharam muitos enfeites e acessórios, como botões e cintos ornamentados com pedrarias. O homem possuía visual mais exuberante do que a mulher. Na França, entre os jovens cortesãos, a roupa caiu no ridículo e extravagante, sendo tão curtas e tão apertadas que era necessário a ajuda de duas pessoas para vestir e despi-los.
Os cabelos eram curtos podendo-se usar barba terminada em ponta. Na cabeça capirotes (barrete ou gorro em forma de crista), chapéu cônico, cilíndrico ou chaperon de abas acolchoadas e uma tira de tecido caindo até os ombros. Os sapatos eram feitos de couro e tinham inúmeros estilos ou então usavam botas fechadas com fivelas que cobriam a perna até ao joelho. Os calçados terminavam em uma ponta fina e longa na frente.  



Capirote e chaperon
 

Os vestidos femininos do século XIV, eram simples e elegantes. A túnica, reta nos ombros tinha a saia larga, drapeada e com cauda.  Lá por 1350, o corpete externo foi inventado, sendo que ele  e a saia (costurandos juntos) podiam ser um de cada cor. As vestes eram fechadas com cordões na frente, do lado e a raramente nas costas. A sobreveste era feita de tecido mais valioso e tinha mangas mais curtas. As mangas eram justas até o cotovelo e a parte e trás caía até os joelhos. O casaco contornava as formas do corpo e o manto curto chegava até o busto, feito de pele no inverno e de seda no verão. 

A moda de usar cabelos falsos continuou, eles eram divididos ao meio e levantados sobre as orelhas formando um caracol e presos com redes (crespine). Neste século, era impressionante a variedade de enfeites de cabeça que se tornaram mais elaborados ainda nos anos seguintes. Os calçados eram iguais aos masculinos: pontudos. 
Na Espanha, a roupa feminina tinha cores vivas como vermelho, azul, rosa, violeta e verde-mar. Os sapatos eram enfeitados com bordados  e debruns dourados. As espanholas não usavam adorno de cabeça até o final do século XIV, e sim um lenço preso por uma faixa e cabelos soltos ou presos com pérolas. As damas espanholas achavam elegante usar unhas num comprimento que hoje seria considerado absurdo.

Apenas algumas das variedades de enfeites de cabeça: 

Em 1348 veio a peste negra que matou um terço da população Européia. Quem sobreviveu, prosperou, tornou-se rico em um curto espaço de tempo. Mostrar a riqueza adquirida entrou em jogo, uma dos modos foi o consumo exagerado de tecidos. Mas isso é assunto para postagem da Parte 3 da Indumentária na Era Medieval.


O texto foi escrito pela autora do blog de acordo com pesquisas em livros de Moda lançados no Brasil e no exterior. Se forem usar o texto na íntegra para trabalhos ou sites, citem o blog como fonte. Leiam livros de Moda para mais informações e detalhes.

*Originalmente postado em meu outro blog, o Moda de Subculturas.

2 comentários:

  1. muito bom,vou sempre usar este blog para pesquisas.

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  2. utilizei o blog para elaborar um projeto, reproduzi as roupas da idade média, parabéns pelo teu trabalho excelente!

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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥