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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Lingerie Histórica - Parte 4: Crinolina/Cage

O termo Crinolina deriva de Crin, palavra francesa para crina de cavalo. Na França, a partir de 1829, a crina era enfiada através do petticoat para endurecê-lo. Mais tarde, na década de 1850, cana, barbatanas de baleia  e  aros de aço foram desenvolvidos para dar um efeito similar ao de uma gaiola (em inglês: cage).

Ao contrário do Farthingale e do pannier, usado apenas pela corte e pelas classes altas, a crinolina foi adotada por mulheres de várias classes sociais, mesmo com muitas anáguas (para evitar que o aço aparecesse), peso e volume, havia uma produção em massa. A crinolina é considerada a primeira peça de roupa usada por todas as classes sociais. Mas, as peças eram objetos de sátira nos jornais e odiados pelos apoiadores da “dress reform”, um grupo de pessoas que lutava pela reforma do vestuário.

A crinolina chegou ao tamanho máximo de três metros de diâmetro, e não é difícil imaginar as dificuldades das mulheres ao passar por portas, entrar em carruagens, assim como o perigo de pegar fogo em velas, ficarem presas em máquinas, fora os problemas de movimentos corporais. Apertadas por corsets, se as mulheres não se sentassem de determinada forma, a crinolina poderia voar em seus rostos e feri-las. 
Posteriormente, estas peças passaram a ser feitas apenas de aço, se tornando mais leves e fazendo com que apenas duas anáguas fossem suficientes pra esconder o metal. A  gaiola de crinolina permitia às mulheres mover suas pernas livremente sob a gaiola mas a peça se balançava facilmente de um lado a outro, e como a decência era lei, elas deviam usar bloomers, botas acima tornozelo e evitar toda possibilidade de mostrar alguma parte das pernas.

O século XIX foi um período de dominação masculina, os homens eram considerados "sérios, ativos, fortes e agressivos" e usavam roupas escuras, com pouca ornamentação. As mulheres eram "frívolas, inativas, delicadas e submissas" e usavam roupas delicadamente enfeitadas que inibiam os seus movimentos. Em certo sentido, a crinolina simbolizava a fertilidade feminina, ampliando tamanho dos quadris, e a cage (gaiola), era um sinônimo de prisão feminina. Para outros historiadores de moda,  a crinolina também era uma representação de como as mulheres burguesas "vestiam uma armadura" para encarar a vida urbana moderna, ou seja, a largura da enorme saia  era uma barreira entre a usuária e as outras pessoas. Para os burgueses, essa distanciação era importante numa época em que a urbanização e industrialização levou a um contato mais frequente com estranhos. Também poderia ser uma forma de diferenciar-se da classe trabalhadora.


Por volta de 1864, a forma da crinolina começou a mudar. Ao invés de ser em forma de cúpula, a frente e os lados diminuíram e  o volume ficou apenas na parte de trás,  a peça foi chamada de Crinolette.
 
Em tempos recentes, em sua primeira coleção solo, a estilista Vivienne Westwood usou a crinolina como inspiração. A coleção era intitulada Mini Crini, onde ela usou crinolinas em saias curtas e com de aros de plástico flexível em 1987 (foto ao lado).  

A crinolina é imensamente usada em vestidos de noiva, na subcultura Lolita e na gótica,  já que ambas tem raízes na estética do século XIX. Um dos modismos mais recente é usar uma crinolina estilizada por cima das saias.

Crinolina de 1860 e 1867:


Formas de sentar de modo à não se machucar:


Sátiras de jornais com a crinolina:
Importante: sendo sátiras, não condizem com a realidade. Já vi a última imagem sendo usada como ilustração em apostilas  e em outros sites sem avisar que é algo cômico. Atenção para a reprodução de informações incorretas.
 


Mais sobre lingerie histórica:
Lingerie Histórica - Parte 1: Farthingale e Guardainfante
Lingerie Histórica - Parte 7: Corsets (em breve)

O texto foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em livros de Moda lançados no Brasil e no exterior. Se forem usar para trabalhos ou sites, citem o blog como fonte. Leiam livros de Moda para mais informações e detalhes.
*Originalmente postado em meu outro blog, o Moda de Subculturas.

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7 comentários:

  1. Eu queria entender como as mulheres faziam para ir no banheiro com essas armações enormes

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    1. Ah era bem complicado rsrs! O penico era o melhor amigo haha!

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  2. Gostei muito do seu blog.Achei muito interessante saber a história da moda.

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  3. Olá! Amo seu blog! Queria saber se vc tem a fonte desta última foto, a da sequência da moça vestindo a gaiola. Obrigado!! YURI

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    1. Peguei no google images, se não me engano com busca de "crinoline" ;)

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  4. Que massa!Gostei.
    Estou tentando fazer um romance de época. Suas postagens me ajudaram bastante. Se não for abusar, poderia me dizer o titulo de um dos livros que você leu? Preciso de mais detalhes sobre a moda no sec. XIX, mas no Brasil, Rio de Janeiro, mas especificamente. Obrigada!!!

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Nota aos Leitores

Olá, tudo bem? Fico feliz que tenha chegado até aqui! :) Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam com muita frequência quais as fontes dos meus textos e algumas pessoas são bem agressivas nesta abordagem. É necessário informar que alguns textos aqui presentes foram escritos entre 2009 e 2013, período que eu não tinha preocupação de anotar as fontes. Não posso hoje colocar uma fonte que não lembro se está correta, indicando algo errado ao leitores. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e lhes garanto que há material disponível em publicações em português apropriadas para um trabalho de pesquisa. Nos textos pós 2014, eu indico a fonte consultada. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria referência. Além disso, isso é apenas um blog que visa o entretenimento e não é minha obrigação fornecer uma pesquisa pronta a outra pessoa. Alguns livros que uso estão listados neste link (que está desatualizado): https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html, outros estão resenhados aqui no blog, procure a tag "livros". A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores, por isso essa nota se fez necessária. Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog). Atenciosamente, Sana M.

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