terça-feira, 28 de maio de 2013

1947: O New Look Dior

Em 1947, o estilista Christian Dior cria uma das estéticas mais importantes da evolução da indumentária no século XX. Sua trajetória profissional, de apenas 10 anos, deixou um império poderoso até hoje.

Dior não gostava de sua época, era nostálgico dos anos de 1860 e da Belle Époque. A estética que ele criou exigia o retorno feminino aos valores tradicionais. A mulher  idealizada por Dior é propositalmente excluída das realidades práticas. Elitista, sua moda não é destinada às massas, e ainda assim conquistou donas de casa do mundo inteiro ávidas por seus modelos.

Christian Dior nasceu em 1905, era filho de burgueses e tinha talento para desenho, para criar fantasias e artes decorativas. Em 1938, se torna modelista de Robert Piguet e em seguida vai pra Maison de Lucien Lelong onde encontra o colega Pierre Balmain. Nessa época, ele já havia começado a realizar algumas transformações na silhueta feminina quando em 1946 é apresentado ao magnata dos tecidos Marcel Boussac, que, impressionado por sua determinação, decide financiar a maison com que sonha Christian Dior. A Maison vai ficar famosa em 1947, com a apresentação de sua primeira coleção.

Inspirado na estética de 1860, a primeira coleção de Dior tinha peças com cintura marcada, busto natural e saias rodadas longas. A editora de moda americana, Carmel Snow, ao ver a coleção, exclama a frase que dará nome ao estilo: "This is a new look!”.
No icônico “Bar Suit”, os seios eram naturais, ombros arredondados, a jaqueta justa acentuava a cintura de 45,5cm afinada com corset, a longa saia plissada em crepe de lã, acompanhava chapéu e saltos. Só no casaco foram usados  3,70 metros de seda shantung e na saia, 7,50 metros de tecido.


O New Look foi um sucesso, porém, como suas peças podiam usar de 10 a 25 metros de tecido numa época de recessão e racionamento pós guerra, diversos governos desaprovaram e desencorajavam o povo a usar roupas que desperdiçavam tecido. Mesmo assim, o New Look dominou o mundo por 10 anos, se tornando a característica padrão da moda dos vindouros anos 50.

Dior queria que as mulheres voltassem pra casa, que abandonassem o trabalho remunerado que tinham realizado durante a guerra. Sua moda exigia isso, já que as roupas de baixo eram firmes com uso de corsets, cintas, barbatanas, tule, anáguas e crinolinas. Havia estofamento extra sobre os quadris e busto para dar uma figura feminina suave e curvilínea, sapatos altos e pouco práticos e chapéus. 

Coleção de 1947:

As saias, volumosas deviam ser amplas e obrigatoriamente ser 40cm acima do chão. O daywear tinha vestidos formais para a tarde, vestidos cocktail, semi-noite e vestidos de noite curtos.  Os vestidos cocktail apareceram pela primeira vez nos anos 1920 e ganharam popularidade depois da guerra. Eles eram usados na início da noite ou em reuniões entre 18:00h e 20:00h, e podiam incluir crinolinas elaboradas que seriam esmagadas ao sentar.

Dior mede a altura da saia: 40cm acima do chão

Paralelamente, no fim de 1947, Dior inaugura uma filial de perfumes; logo depois abre em Nova York uma maison para vender o prét à porter de luxo que seriam versões de suas peças de alta costura. Na década de 40, o recém criado sistema de licenças revoluciona a estratégia econômica das marcas de prestígio e então, em 1948, o costureiro cria uma imensidão de produtos pra atingir o maior número de consumidoras. De meias à batons, passando por todos os acessórios de sua grife.

O vestido chamado de "Zémire” é um dos projetos históricos de Dior. Foi nomeado em homenagem a ópera de Grétry, realizada no palácio real de Fontainebleau em 1771.  Zémire fazia parte da coleção “Ligne H”. O modelo é de 1954.


Dior nomeou silhuetas de acordo com seus formatos: Y, H, A, trapézio e criou peças com volumes e assimetrias.
Abaixo, linha A, Y e H. Peça em linha trapézio da coleção de 1957 criada por Yves Saint Laurent.

 

Quando morre inesperadamente em 1957, Dior emprega mais de mil pessoas. Seu negócio ocupa cinco imóveis e somente a alta-costura tinha 28 ateliês. A mudança climática, social e ecomômica do fim dos anos 50, faz com que cada vez mais os ateliês sejam deixados de lados e as ruas se encham de lojas de roupas pret a porter (pronto pra vestir).


O texto foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em livros de Moda lançados no Brasil e no exterior. Se forem usar para trabalhos ou sites, citem o blog como fonte. Leiam livros de Moda para mais informações e detalhes.
Fonte: A Roupa e a Moda; A Moda do Século XX.

*Originalmente postado em meu outro blog, o Moda de Subculturas.

Um comentário:

  1. estou apaixonada neste blog, era tudo o que eu precisava! estou aprendendo muito aqui, obrigada por fazer ele existir! <3

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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥